ENTREVISTA COM NINA DIPLA

Por Ítalo Rui

Nina Dipla veio ao Brasil pela primeira vez em 2014 através do Projeto “Conexão Curimbó”, realizado pela Cia de Investigação Cênica, em Belém do Pará. A coreógrafa Grega viaja o mundo ministrando seus workshops e apresentando seus trabalhos. Nina já trabalhou com Pina Bausch, foi bailarina e assistente coreográfica na Tanztheater Wuppertal. Tivemos a oportunidade de conhecê-la em Belém quando participamos de seu workshop. Recentemente a revista realizou uma entrevista com ela, que pode ser conferida logo abaixo.

Entrevista em Português:

Nina, sobre as questões políticas, sociais e econômicas do nosso tempo, elas têm alguma influência sobre seu trabalho?
Nina: Sim, elas têm. Por exemplo: eu dancei o solo ROSA,que tem a ver com a crise na Grécia e em países Mediterrâneos, em Belém e em outros países. Após os ataques terroristas na França e no mundo já há dois anos e meio, eu criei o projeto “7 STEPS OF LIFE” vamos dançar pela paz. (“Sete passos da vida” em tradução livre). E trata-se da realidade dos nossos muros, mundos, problemas sociais. Então é um grito exatamente para a sociedade e como a política está reagindo com “boas conversas”, mas sem ser realmente ativa nos problemas reais de comunicação que temos entre pessoas, países e religiões.

Nina, você viaja muito ministrando seus workshops e apresentando seu trabalho em vários países. Você poderia falar como vê a dança contemporânea nesses diferentes lugares?
Nina: Na verdade, eu viajo desde 2009, passeipor vinte países, propondo workshops e também meu universo artístico. O que está muito claro é que cada país têm grandes influências culturais, e é natural encontrar no corpo das pessoas suas próprias maneiras de se movimentar e de improvisar. Em alguns países, as pessoas precisam da improvisação e para elas é um prazer improvisar. (principalmente na América Latina e na Europa). Na Ásia, por exemplo, os artistas preferem se basear na direção e técnica claras. A disciplina também é diferente em cada país. E, claro, a emergência da expressão através da arte não é a mesma nos países que existem muitas pessoas pobres e em lugares com muito dinheiro e com bens materiais. Quanto mais as pessoas têm dinheiro, menos elas têm a real necessidade de dançar de alguma maneira, ou de criar.

 Figura 1 Imagem disponibilizada pela artista

Você veio pela primeira vez ao Brasil em 2014 através do Projeto “Conexão Curimbó”. Como foi trabalhar com tantas pessoas diferentes e que não eram apenas dançarinos?
Nina: Foi bom trabalhar com pessoas de várias experiências. Cada uma é dançarina na sua vida. Somente as técnicas e os códigos de comunicação são diferentes. Então eu acho que foi importante que dançarinos e não dançarinos estarem juntos tendo a oportunidade de aprender uns com os outros. Eu espero que na próxima vez que eu vier ao Brasil possa conhecer novamente pessoas e artistas com a mente aberta para a arte.

Consigo ver uma aproximação muito forte entre teatro e dança no seu trabalho. Poderia falar mais sobre isso?
Nina: Na verdade meu trabalho é uma mistura de música, dança, teatro e poesia. Esses quatro elementos estão relacionados à fotografia e à geometria sagrada.

Você trabalhou com a Pina Bausch no Tanztheater Wuppertal. Você absorveu quais influências dela em seu trabalho?
Nina: O que eu mantive na época das experiências da Pina Bausch e do FTS Germany (Folkwang Tanzstudio) é ser simples, honesta e olhar para meu caminho e meu vocabulário de expressão sem tentar copiar a Pina ou as obras do Tanztheater. Talvez porque eu os respeito muito e sinto que é importante encontrar nossa própria identidade na arte, mantendo sempre no coração o respeito e as imagens de nossos mestres.

Figura 2 Imagem disponibilizada pela artista



Seu solo “Une AttractionInvisible” (Uma atração invisível, em tradução livre) foi um tributo a Pina. Pode falar sobre ele?
Nina: Este solo foi a primeira parte de uma trilogia inspirada no Poeta Rumi. 1) Une Attraction Invisible; 2) Kyma; 3) “VA”. As três criações são uma homenagem à Pina Bausch, Agnes Pallai, ao Kazuo Ohno e a todas as pessoas que não estão mais na Terra, mas que continuam vivendo dentro de nossos corações. Então são três criações que se relacionam com esse espaço e com outros espaços que podemos sentir, mas que não dá para explicar com palavras. Minha viagem pelo mundo, propondo workshops e apresentações artísticas também é uma homenagem à Pina e a todas essas pessoas.


Interview in English:

Nina Dipla came to Brazil for the first time in 2014 through the Project “Conexão Curimbó” accomplished by Cia de Investigação Cênica” at Belém/ Pará/ Brazil. The Greek choreographer travel the world by ministering her workshops and presenting her works. Nina worked with Pina Bausch, was dancer and choreographer assistant on Tanztheater Wuppertal. We had the opportunity to know her at Belém when we participate of her workshop. Recently the magazine Arte documenta!conducted an interview with Nina that can be read below:

Nina about the political, social and economic issues of our Time. How they have some influence in your work? 
Nina: Yes it has: for example, the solo ROSA I danced also at Belem and in other countries it is has to do with Crisis in Greece and Mediterranean countries. After “terror attacks in France and around the world” already since 2 years ½ I create the project “7 STEPS OF LIFE” let’s dance for peace. And it is about “reality” of our wall/world/social problems… so it is a scream exactly to society an how politic is reacting only with “nice talks”, but without really be active on real problems of communication we have between people and countries and religions.

Nina, you travel a lot by ministering your workshops and presenting your work in many countries. Could you talk about how you see contemporary dance in these different places?
Nina: Actually since 2009 I travel on 20 countries proposing workshops and my artistic universe. What is very clear is that each country has very big culture influences, and this is normal to find after on the body of the people and on their way of moving and also of improvising. In some countries the people need improvisation and it is a pleasure for them to improvise (more in Latin America and Europe).And in Asia for example the artists prefer to be based on technique and choreography clear direction. Discipline is also very different in each country. And of course the "emergency” of expression trough art it is not the same in countries there are very poor and places they have a lot of money and material goods. (More the people have money, less they have the real need to dance somehow or to create art). 

You came to Brazil for the first time in 2014 through the Project "Conexão Curimbó". What was it like working with so many different people and that they were not just dancers? 
Nina: Was nice to work with mitt experiences people. Each one is dancer of his life. Just the technique and codes of communication are different. So I think dancers and no dancers was important to be together to give an opportunity to learn from each other. I hope the next time I will come to Brazil to meet again mix artistes people with open mind in art. 

I can see a very strong approach between theater, and dance in your work. Could you talk more about it?
Nina: Actually my work is a mix of music-dance-theater-poetry. Those 4 elements are related to photography and sacred geometry.

You worked with Pina Bausch at the Tanztheater Wuppertal. Have you absorbed what influences her in your work?
Nina: What I keep from the experience from Pina Bausch and FTS Germany times, is to be simple, honest and look for my road and vocabulary of expression without trying to copy Pina or any pieces of Tanztheater. May be because I respect very much and I feel that is important to find our own identity on art, keeping always in the heart the respect and images of our teachers. 

Your solo "Une Attraction Invisible" was a tribute to Pina. Could you talk about it? 
Nina: This solo was the first part of a trilogy inspired from the Sufi poet Rumi. 1) Une attraction invisible; 2) Kyma; 3) "VA" the three creations are "homage" to Pina Bausch , to my classical dance theater Agnes Pallai , to Kazuo Ohno and all the people are not anymore on earth but they still leave inside our heart. So there are creations related with an earth space and other space that we can feel, but when not explain with words. My traveling around the world also proposing workshops and art performances is also a Homage at Pina and at all those people. 


Revisão de texto por Janaina Siqueira
Texto completo em PDF


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