ano 4, n. 1, abr. 2021

397, Ensaio sobre uma família em quarentena

Pedro Dias

Resumo – Atrás da casa tinha um pé de Corona, digo, Mamona. É um retrato do meu pai, do grupo de risco e isso me preocupava. Me contou que brincava com Mamona na infância em Minas Gerais, mas nunca me contou muito, por isso um fundo branco. Tinha também um pé de Ora-pro-nóbis. É um retrato da minha mãe, que descobriu o que é PANC na quarentena e sua folha que me lembrou uma boca, que me lembrava a boca dela, única pela enorme miscigenação. No fundo a sombra do Sol a pino, onde ela gostava de “fritar”. Em razão da pandemia perdi meu trabalho e fui salvo pelos meus pais quando voltei de Alagoas, onde morava. Enormemente grato, mas com saudade do mar e me sentindo sufocado, meu retrato é uma lata de sardinha no meu lugar na casa, a cama. O Ensaio continua com uma série de máscaras conversando com elementos pessoais dos moradores da casa. Meu pai está próximo a um carrinho de mão em uma reforma. A máscara da minha mãe conversa com tudo no banheiro e chega a se parecer muito com seu sutiã. A minha vai colada ao portão, querendo sair. Por último, uma série das nossas mãos, incrivelmente parecidas. Que mostram a força física do meu pai, a delicadeza da minha mãe e minha ânsia.

Sobre o autor - De ensino médio completo, trabalhou como Diretor de Arte em agências de propaganda. Após este período viajou por 5 continentes, (América do Sul e do Norte, Ásia, África e Europa) trabalhando com o que encontrava pelo caminho e nisso descobriu a fotografia de gente. Atua como designer e fotógrafo em projetos culturais e seu trabalho fala sobre a vida humana e tudo o que cerca gente. Seu primeiro ensaio autoral, Pedro Espera, foi selecionado pelo Itaú Cultural no edital Arte Como Respiro em 2020. Atualmente trabalha no Trabalhadores Invisíveis, retratando os trabalhadores de sua cidade invisibilizado pela sociedade e estado em um momento de pandemia.

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